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Resíduos de agrotóxicos em especiarias: o que exigir do fornecedor

Exija do fornecedor um laudo multirresíduos por lote, com limites do Brasil, método e limite de quantificação declarados, e laboratório com o ensaio no escopo da acreditação.

· 4 min de leitura · Creston & Co

Sobre resíduos de agrotóxicos em especiarias, exija do fornecedor um laudo multirresíduos por lote, comparado com os limites válidos no Brasil, com método e limite de quantificação declarados. Peça também a rastreabilidade da matéria-prima, porque a maior parte do risco entra antes de a mercadoria chegar à fábrica.

Especiarias costumam vir de muitos pequenos produtores, passando por mercados e intermediários. Um mesmo lote pode reunir lavouras com manejos bem diferentes. A planta que limpa e moi o produto não remove boa parte dos resíduos, então o controle precisa começar na compra e terminar na análise do lote embalado.

Qual limite vale para a sua carga

No Brasil, a ANVISA publica as monografias de agrotóxicos, que trazem os limites máximos de resíduos (LMR) por ingrediente ativo e cultura. Esses limites não são iguais aos da União Europeia nem aos do Codex. Um laudo que apenas diz “atende aos LMR da UE” não responde à pergunta do mercado brasileiro.

Uma dificuldade prática é que nem toda especiaria aparece em cada monografia, e a forma do produto, seca ou moída, pode mudar a leitura do resultado. Antes de definir o critério de aprovação, combine com seu responsável técnico como tratar um ativo sem limite publicado para a cultura e confirme a orientação vigente com a ANVISA, em vez de presumir que ausência de limite significa permissão.

O que exigir no laudo

  • Número do lote igual ao da embalagem, do packing list e da fatura.
  • Nome do produto e forma: inteiro, triturado ou em pó.
  • Técnica analítica, normalmente LC-MS/MS e GC-MS/MS em painel multirresíduos.
  • Lista completa dos ativos pesquisados, não só os detectados.
  • Limite de quantificação de cada ativo, compatível com o limite que você precisa cumprir.
  • Resultado numérico para o que foi detectado, sem frases genéricas como “dentro da norma”.
  • Quem retirou a amostra e de onde ela saiu.
  • Identificação do laboratório e confirmação de que o ensaio está no escopo.

Um painel amplo não é automaticamente adequado

Um número grande de ativos no painel impressiona, mas pode não incluir os ativos mais usados naquela cultura. Peça ao laboratório que revise o painel para o seu produto e origem. Alguns compostos também exigem método próprio, ou seja, não aparecem na análise multirresíduos padrão.

Um caso que merece linha separada é o óxido de etileno, usado em alguns mercados para reduzir carga microbiana. Ao tratar de um recolhimento de sorvetes em 2022, a ANVISA informou não haver limite tolerável para 2-cloroetanol em alimentos na legislação brasileira então vigente. Confirme a posição atual, escreva “sem tratamento com óxido de etileno” no contrato e peça análise de óxido de etileno e 2-cloroetanol.

O que exigir do fornecedor, além do laudo

Um laudo olha para o passado de uma amostra. Peça também evidências de como o fornecedor evita o problema no próximo lote.

  • Mapa de origem: regiões e intermediários de onde vem a matéria-prima.
  • Programa de monitoramento: frequência das análises e histórico recente, inclusive de lotes reprovados.
  • Critério de recebimento: o que acontece com a matéria-prima fora do padrão.
  • Regra de mistura: lote reprovado não pode ser misturado a lotes bons para reduzir o resultado.
  • Segregação física e registros que liguem o lote embalado à compra de origem.
  • Compromisso por escrito de avisar qualquer mudança de região ou fornecedor de matéria-prima.

Como colocar isso no contrato

Escreva que a mercadoria deve cumprir os limites brasileiros vigentes na data do embarque, diga qual laboratório decide em caso de divergência e defina quem paga por reanálise, devolução ou destruição. Combine amostra lacrada antes do carregamento e amostra retida. Antes de fechar, peça ao seu despachante ou consultor para confirmar se o produto e a origem têm exigências adicionais do MAPA.

Para outros contaminantes, leia também sobre aflatoxina, metais pesados e como ler o laudo de um laboratório NABL.

Como a Creston ajuda

Trabalhamos para você, não para a fábrica. A partir da Índia, auditamos a planta e a origem da matéria-prima, enviamos amostras seladas de cada lote a um laboratório acreditado pelo NABL com o painel definido para o Brasil, acompanhamos o carregamento e conferimos os documentos, por um honorário único acordado por escrito. Você compra direto da planta. Para revisar seu painel de análises, agende uma conversa gratuita sobre sua compra.